O Nada

Um pouco de tudo sobre o nada

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2006

29.08.06

Thumbsucker

categorias: Entretenimento

A tradução errônea para o título do filme acima — Impulsividade — não estraga em nada essa pequena obra-prima descoberta em Sundance no ano passado. Primeiro porque um longa chamado Chupador de Dedão, se não for pornô, deve ser mesmo muito bacana. Segundo porque as atuações, principalmente do protagonista, são muito sinceras. E terceiro porque o filme inteiro tem trilha de Elliott Smith. Impossível não lembrar de Gênio Indomável, que também tinha músicas do finado cantor de alt-folk e tratava, bem ou mal, de desajustados.

Não me concentrarei a nomes de atores/diretores. Já fui melhor nisso, eu sei, mas acho que aqui isso não faz diferença. O "problemático" da vez é um garoto de seus 17 anos, meio travado, meio andrógino até (tem cabelo lambido, voz meio fina e jeito do Brett Anderson do Suede). Não é viado, não resta dúvida, mas se sente estranho no ninho por chupar o dedo. Sua encanação aumenta porque não consegue chegar no amor da escola, seu pai é ausente, seu irmão mais novo o apavora, seu professor o coage e seu dentista quer corrigir seus "problemas" psicológicos com hipnose.

O filme se desenvolve em paralelo à vida do personagem, que troca o dedo por anti-depressivos, maconha e sexo. Tudo, segundo o dentista, para substituir a carência que sente pela omissão da mãe. Uma espécie de fase oral eterna em que substitui a chupeta por qualquer coisa que caiba em sua boca.

Contar uma linha a mais estragaria o final. Impulsividade, no fim das contas, agrada por tratar da normalidade. Ainda que sob a máscara de supostos problemas que afetam nossa sociedade. As pessoas, no fim, são tão estupidamente normais que assustam. Não foi nem preciso dar um ar cool ao submundo da família ianque, como fez Beleza Americana, para mostrar isso. Fica a dica: alugue o filme, compre o disco. Chupe o dedo.

 

  • criado por  gnoofella criado por gnoofella
  • Postado em 18:57:09

03.08.06

O preço do 0

categorias: Mente

Semanas de mudanças. Mudanças pesadas, diga-se. E já que o roubo do Palio e a troca de função são eventos longínquos, vamos ao desencadeamento. Estou com uma mistura interna de tontura e dores. Várias delas. Parece que meu corpo vomitou e esqueceu de dar descarga.

Em três dias achei que estava com meningite, diabetes, câncer no cérebro e vista dilatada. Provavelmente não esteja com nada disso, mas pela primeira vez na vida estou enxergando mal. Nem as legendas do The OC se salvam. Deve ser virose. Tenho andado sonhando com pautas, reuniões e fechamento. Deve ser virose psicossomática.

Minha idéia não era usar esse espaço para reclamações pessoais. Preferia falar sobre meus cinco meses de abstinência de cannabis. Esse era para ser o assunto desta blogada e da minha terapia da semana — sim, escolho um tema antes de ir porque fica mais fácil desenvolver a análise. Mas até minha terapeuta não pode me receber esta semana. Morreu o tio dela.

Resta o consolo. Nesta sexta-feira, bem cedo, pego meu carro. O primeiro zero da carreira. O preço em dinheiro não foi tão alto e estará pago em breve. O esforço acima já mandou o boleto, em 60 prestações. Não inclui, claro, a multa de trânsito da Prefeitura de Suzano que chegou esta semana, datada de 11 de julho, às 8h44. Algumas horas depois do Palio ter sido roubado. Na foto dá para ver que era apenas um o ladrão. Não sei porque, me senti melhor com isso.

 

  • criado por  gnoofella criado por gnoofella
  • Postado em 20:51:25