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Terra Blog

13.09.06

A sangue frio

categorias: Entretenimento

Não vejo muita ligação entre jornalismo e literatura. Vejo o primeiro como um simples ato de transcrever fatos, ao passo que o segundo é uma interpretação da realidade, às vezes melhorada, às vezes não. Em A Sangue Frio, Truman Capote tentou mesclar esses dois universos distintos. Sua idéia era revolucionar o mercado editorial com o que batizou de "romance de não-ficção". Ou "romance sem ficção". 

O resultado é controverso, no sentido de que se gabou por algo que já existia, inclusive no veículo para qual prestava contas, o New York Times. Controvérsia, aliás, não faltou na vida desse jornalista arrogante, homossexual e exótico. Ao ponto de dedicar seis anos a decifrar uma pequena nota que leu ali mesmo no NYT e que chamou sua atenção: o assassinato brutal de quatro membros da família Clutter, que viviam numa cidade jeca do Kansas.

A cidade, Holcomb, é um microcosmo da sociedade americana, cheia de moralismo, protestantes e tortas de cereja.  É ali que Capote passa 4 anos para esmiuçar qual o impacto desses assassinatos; qual a relação dos locais com os Clutter; as desconfianças em torno dos assassinos; a fixação pela pena de morte.  

Tudo de uma maneira bem peculiar. Capote preferia fazer amizade com suas "fontes". Entendia que, falando de si, conseguiria tirar as informações que desejava. Não utilizava gravador tampouco anotações. Mesmo assim dizia ter material para duas mil páginas de livro.

A Sangue Frio detalha os crimes, a vida de Perry e Hichcock antes e depois dos Clutter, suas prisões, suas execuções. Tudo de maneira magistral. Uma literatura magistral. Não jornalismo.

  • criado por  gnoofella criado por gnoofella
  • Postado em 23:18:20
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