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Terra Blog

26.07.06

Barbie e Ken

categorias: Entretenimento

Cerebralização juvenilizante e juvenilização cerebralizante. Os dois termos me foram apresentados há quase dez anos, pela professora Nehy, de Antropologia. Uma aula irritante para alguém com 17 anos e, sobretudo, quando ocupa suas sextas-feiras com filmes preto-e-branco sobre símios se assutando com fogueiras. Enfim, as duas expressões tratam, não necessariamente nessa ordem (frisa-se o nessa ordem) de situações corriqueiras que acometem a socidade. Casos práticos logo mais.

No geral, descrevem o processo cada vez mais precoce de as crianças amadurecerem e, posteriormente, de postergarem a mocidade quando já adultos. Isso é Antropologia e Antropologia é vida. Não é de agora que as crianças encurtam um dos períodos mais bacanas em troca dos primeiros beijos, goles e tragadas. É como se as meninas, antes do tempo, trocassem a Barbie pelo Ken.

Isso traz problemas sérios no desenvolvimento das pessoas, comprometendo-as com aspectos aparentemente simples, como a segurança para tomar uma decisão, já que não estão preparadas para isso. Culpa dos pais, principalmente aqueles que vestem meninas de seis anos de idade como prostitutas da Xuxa. O grave é que a saudável brincadeira de médico, atualmente, dá até diploma. 

Ao mesmo tempo, e quando na vida adulta, essas pessoas (trato aqui sobretudo das da geração 80, especificamente aquelas que foram crianças ou pré-adolescentes na década perdida, meu caso) fogem do padrão dos seus pais (casam tarde, não ligam para estabilidade financeira etc) e dificilmente se vêem como mais velhos. A crise dos 30 virou lenda. Finais de semana são entregues a jogos de tabuleiro sem o menor pudor. Baladas? Beber até cair? Deixe para a galera com 13, 14 anos...

Outro dia, em um churrasco, ouvi uma frase sintomática: "Estamos num puta churrasco, com um monte de meninas....e batendo figurinhas". Uma amiga tem uma tese interessante. Uma não, duas. A primeira é que negamos na cara dura nossa idade, e essa volta das atividades da infância é prova disso. Tem fundamento. Afinal, ninguém sai de casa para dançar ao som de Menudo porque acha a banda boa. Renderia horas de terapia.

Outra teoria é que, hoje, podemos comprar tudo aquilo que não pudemos ter na infância. Parece até que o mercado está atento a esse perfil de consumidor, que trabalha, tem grana e pode gastar quanto for com brinquedinhos modernos. A diferença entre crianças e adultos nessa história toda é justamente essa: o preço do brinquedo.

  • criado por  gnoofella criado por gnoofella
  • Postado em 23:12:15
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