O Nada

Um pouco de tudo sobre o nada

O Nada

Um pouco de tudo sobre o nada
<  Março 2008  >
S T Q Q S S D
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

03.04.07

Minha Kombi amarela ou a busca da beleza americana

Há uma sutil semelhança entre Beleza Americana, premiado longa vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2000, e Pequena Miss Sunshine, a maior surpresa da premiação este ano. Ambos colocam a família norte-americana em foco, e desnudam o american way o life e seus medos, anseios e frustrações. Mas enquanto o longa de Sam Mendes apostava em mostrar um típico núcleo familiar com verniz de perfeição e aos poucos tirar a sujeira debaixo do tapete, Pequena Miss Sunshine vai direto ao assunto.

Nesse longa de caráter independente, rodado por dois diretores egressos da MTV (Jonathan Dayton e Valerie Faris), a imperfeição é a palavra de ordem, em tipos que eu, você e provavelmente qualquer pessoa que supere sua pouco mais de hora e meia de exibição encontram diariamente em casa ou no trabalho.

A família Hoover pode ser considerada excêntrica. Talvez não da maneira ácida e quase caricata quanto os Tenenbaums (de Os Excêntricos Tenenbaums, 2001), mas com suas próprias esquisitices. Sheryl (Toni Collette) é a mãe neurótica e que há tempos perdeu o controle da rotina de casa. É casada com Richard (o fraco Greg Kinnear, aqui sem  comprometer), uma tentativa frustrada de guru de auto-ajuda, e mora com o sogro (Alan Arkin, sem nome, conhecido apenas como "o Avô"), um velhinho expulso do asilo graças a um vício tardio em heroína.

Completam o time o filho Dwayne (Paul Dano), uma mistura de indie com emo que lê Nitzsche e faz voto de silêncio para entrar na Aeronáutica, a simpática Olive (Abigail Breslin), uma criança adorável e curiosa como qualquer menina de sete anos de idade e o visitante tio Frank (Steve Carrell), um professor de literatura especializado em Proust que se recupera de uma tentativa de suicídio causada por uma frustrada paixão homossexual.

Somos levados a participar da vida dessas personagens quando a pequena Olive entra na disputa por um concurso de beleza para pré-adolescentes e o clã é obrigado a atravessar o país em uma kombi amarela, velha e enferrujada (uma metáfora da própria família, decadente, caindo aos pedaços, mas que vai para frente aos empurrões). São nesses momentos de road-movie que mescla comédia com pitadas dramáticas que as diferenças de pensamentos ficam claras, a omissão dos pais na criação dos filhos se revela e onde torna-se evidente o fato de que estar sob o mesmo teto é receita de sucesso para moldar personalidades tão diferentes.

Não é preciso muito esforço para simpatizar e se identificar com esse time, que apesar de representar muitas das fraquezas e neuras modernas que atingem o dia-a-dia de qualquer ser-humano, resumem de forma muito singela os papéis que cada um desempenha dentro de uma estrutura familiar. As seqüências finais já classificam o filme como um cult moderno, que se popularizou no boca-a-boca, ganhou prêmios em festivais independentes e impressionou até mesmo seus realizadores.

Pequena Miss Sunshine levou o prêmio máximo do Sindicato dos Roteiristas e foi indicado pela Academia em quatro categorias. Ganhou Roteiro Original e Ator coadjuvante. É uma grande ironia dessa instituição que representa Hollywood, que colocou a desajeitada Abigail e o restante da família Hoover para disputar, talvez, aquele que seja o maior concurso de beleza do cinema americano: o Oscar.

  • criado por  gnoofella criado por gnoofella
  • Postado em 17:39:58
Nenhum comentário
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.